Benedictus Dominus Deus Noster qui dedit nobis signum

Bandeira de Portugal: Refundação

Não sendo o único que não se revê inteiramente na Bandeira de Portugal tal como ela é desde 1910 - embora respeitando o seu significado - por razões várias, e que nem sequer passam pela questão Monarquia ou República mas são praticamente todas ligadas a questões de simbologia, tradição e estética, decidi cometer a ousadia de ir um pouco além do mero descontentamento e montar de forma grosseira algo que se aproximasse do meu ideal.

A ideia base é a simplicidade, a sobriedade de cores e respeito heráldico próprios de uma Nação Europeia - facto que parece ter passado despercebido a quem desenhou e aprovou a actual - e a utilização de símbolos que de forma liminar reflictam Portugal, não sejam artíifícios que apareçam de forma exógena com explicações mais ou menos racionalizadas à posteriori mas que se relacionem directamente com os Portugueses a sua História e, acima de tudo, com o seu povo enquanto misto de cultura etno-cultural e memória Histórica. "O Símbolo é o nada que é tudo", dizia Pessoa, e és este nada que tento espelhar neste desenho.

A proposta aqui presente deve ser encarada como apenas uma curiosidade, sem grandes pretensões e sem sequer o nível de qualidade gráfica desejado. Até dentro de um universo de fantasia são apenas um esboço

Desenho Base



O tema base é a da primeira insígnia de Portugal: cruz azul sobre fundo branco. Tendo como tema uma "Refundação" de Portugal nada mais próprio que ir às origens mais fundas da nossa simbologia. Sobre ela as Armas de Portugal em escudo Ibérico, encimadas de Coroa na sua representação usual. Simples, mas a composição é nova embora composta unicamente de símbolos profundamente ancestrais da nacionalidade. As Armas de Portugal assentam sobre a Cruz que lhes deu origem.

Como parece que há quem desconheça que a cruz azul em campo prate foi o primeiro símbolo de armas de Portugal, e que deu origem às quinas ainda hoje presentes no escudo nacional hodierno, fica a explicação retirada da página do Ministério da Defesa sobre a evolução da bandeira nacional:

D. Afonso Henriques (1143-1185)
D. Afonso Henriques (1143-1185)
Segundo a tradição, durante as primeiras lutas pela Independência de Portugal, D. Afonso Henriques teria usado um escudo branco com uma cruz azul, a exemplo de seu pai, o Conde D. Henrique, cujas armas eram simbolizadas pela cruz em campo de prata.

Este é o desenho base, tudo o resto que se segue são pequenas variações secundárias.

Variação: Cruz de Cristo no Cantão Esquerdo



Apenas a adição de uma Cruz de Cristo, insígnia intimamente ligada aos Descobrimentos e a Portugal

Uma vantagem de usar uma cruz simples como forma principal é a possibilidade de carregar os cantões com cargas; um exemplo conhecido em Portugal é a famosa bandeira do Condestável Nun'Álvares Pereira:

Variação: Simplificação e transposição das Armas para o Cantão



Retirada das armas do centro e transpostas, na sua forma de estandarte, para o Cantão esquerdo do chefe. Desenho vagamente inspirado pela composição gráfica da bandeira da Marinha de Guerra Britânica, embora tal composição seja comum na heráldica

Variações várias

Essencialmente para uso desportivo, apenas estão cá devido a tempo a mais passado em estádios de futebol... Este tipo de utilização, com letras latinas na bandeira, destina-se apenas a demonstrar hipotéticas utilizações mais informais da mesma, na veia do que acontece noutros países em algumas ocasiões








(Inspirada no selo de D. Afonso Henriques na primeira carta em que se intitula Rei de Portugal, datada de 1140:

Variações com "coração" sem Armas

Um visitante deu-me a sugestão de experimentar fazer uma variação que substituisse as Armas de Portugal por outro símbolo, de forma a permitir um uso "simplificado" que mantenha algo no centro da bandeira. Na linha do que foi feito acima substituí as Armas pela Cuz de Cristo, limitadas por um círculo da mesma cor do desenho principal

Tal como as acima estas variações são apenas isso mesmo; considero que nada há de mais representativo do que as Armas de Portugal tal como representadas na versão original.
















Frederico Muñoz, 2006 ( fsmunoz@gesal.org )

Índice

  1. Desenho base
  2. Variação 1
  3. Variação 2
  4. Variações 3 (Informais)
  5. Variações 4 (Coração alternativo)