HYMNO PATRIÓTICO DA NAÇÃO PORTUGUEZA

Quem, movido por curiosidade histórica, procurou saber quais os hinos existentes antes d' "A Portuguesa", em vigor desde a implantação da República se bem que de génese ligeiramente anterior, deve ter encontrado mais ou menos o mesmo que eu: que o hino da Monarquia Contitucional era o "Hino da Carta" de D. Pedro IV.

A ideia da existência de hinos nacionais começa, na generalidade dos países europeus, no século XIX (o dealbar da "Europa das Nações"). O Hino da Carta é de circa 1820, com estatuto oficial a partir de 1834 (estou aqui a repetir o que li em praticamente todos os artigos que se dedicam a descrever os antecendentes do actual hino; como todos parecem ter a mesma génese seria contudo avisado confirmar directamente nas fontes as datas, algo que não fiz por não ser o motivo da minha pequena investigação) e antes dele, e segundo as mesmas fontes (por exemplo Antecedentes do Hino Nacional) foi antecedido do "Hymno Patriótico" de Marcos Portugal. Um excerto do artigo supra resume praticamente toda a informação que encontrei na rede:

(...) Neste contexto, ainda em 1826, em Portugal era considerado como hino oficial o "Hymno Patriótico", da autoria de Marcos Portugal. Este hino inspirava-se na parte final da Cantata "La Speranza o sia l`Augurio Felice", composta e oferecida pelo autor ao Príncipe Regente D.João quando este estava retirado com a Corte no Brasil, e que foi representada no Teatro de S. Carlos em Lisboa, a 13 de Maio de 1809 para celebrar o seu aniversário natalício. (...)


Não encontrei nenhuma gravação da peça em questão, nem sequer a cantata de Marcos Portugal que lhe serviu de base. Como tinha curiosidade em saber como era o primeiro hino - na acepção moderna da palavra - de Portugal fui procurar as partituras na Biblioteca Nacional (o que foi fácil devido à disponibilização digital dos conteúdos).

Como sou em termos de solfejo mais ou menos analfabeto transcrevi os originais para formato digital usando o GNU Lilypond, e a partir daí produzi um ficheiro em formato MIDI que, embora parco em expressividade devido à sua origem completamente sintetizada, tem pelo menos o mérito de dar uma ideia da sonoridade do referido Hino.

Ao todo encontrei quatro partituras: três para piano (ou piano-forte) e uma para orquestra. As três para piano são semelhantes a nível do fio sonoro principal, tendo eu escolhido uma delas usando como primeiro critério a maior antiguidade da partitura, o facto de ser a única que não fazia parte de uma colectânea e por último uma simples razão de gosto pessoal nos acordes utilizados.

Tentei ser o mais fiel possível à partitura original. As únicas alterações introduzidas foram a utilização de piano para a melodia destinada ao Canto numa das versões (disponibiliza-se uma versão com trompete na linha melódica de forma a dar uma ideia mais correcta da melodia destinada a ser cantada), "correcção" - entre aspas porque muito provavelmenta não são erros mas sim limitações da minha educação musical - dos tempos de algumas passagens e a não transcrição de duas notas ornamentais (appoggiatura) por, e devido à utilização de piano na linha melódica destinada ao canto, colidirem com o resto da música.












Frederico Muñoz, 2006 ( fsmunoz @ gesal . org )



Ficheiros



Fontes


Letra

Eis, oh Rei Excelso
os votos sagrados
q'os Lusos honrados
vêm livres, vêm livres fazer
vêm livres fazer


Por vós, pela Pátria
o Sangue daremos
por glória só temos
vencer ou morrer
vencer ou morrer
ou morrer
ou morrer